O CAMINHO

Fiz o Caminho de Santiago pela primeira vez em 2018. A Madalena e eu saímos de casa, no Porto, virámos à direita e seguimos por aí fora pelo Caminho Português Central, quando chegámos a Santiago, voltámos para trás pelo Caminho da Costa.

Depois disso, fiz o Caminho Francês mais 4 vezes, a acompanhar os alunos do Colégio Pedro Arrupe.

Com exceção de 2018, a experiência do Caminho de Santiago é mais espiritual que física. Não sou dado a bolhas, as distâncias são relativamente curtas e o percurso que costumamos fazer é muito acessível.

O contacto com os outros peregrinos, as conversas, os silêncios, a contemplação da paisagem e o tempos para olhar para a minha vida são o que me chama ao Caminho. Atualmente, faço-o em atitude de serviço, o que me ajuda a vivê-lo ainda mais por dentro.

Paisagem de área natural com árvores e arbustos, com um marco do Caminho de Santiago e uma cruz de pedra, inclinada.
Caminho de terra ao lado de árvores sem folhas, com pessoas caminhando ao fundo, sob céu nublado.

Caminhar

Talvez aquilo que vem primeiro à cabeça de quem ouve falar do Caminho de Santiago é que se caminha muito. Provavelmente mais que a dimensão espiritual ou religiosa. Que sapatos usar? Vou fazer bolhas? E as pernas? Será que vou conseguir andar tantos kilometros?

Caminhamos de muitas maneiras. Sozinhos ou acompanhados. Mas o que muitos não se apercebem é que, mais do que caminhar por fora, o Caminho faz-nos andar por dentro.

Olhar

Os olhares são coisas que mais gosto de fotografar. Especialmente os espontâneos, inesperados, mas também alguns dos encenados.

No Caminho, consigo encontrar de tudo: desde o olhar alegre, divertido, curioso, até ao irritado, soturno, triste. Alguns olhares deixam passar o que se está a viver, outros não uma máscara cuidadosamente montada para esconder e evitar mostrar o que se está a sentir.

Retrato de uma mulher com cabelo escuro e expressão séria, rodeada por flores em um campo aberto, sob céu claro.

PARAR

O Caminho, não é só caminhar. É preciso saber parar. Para descansar, para pensar, para encontrar.

Saber parar tem a sua arte própria e exige experiência para ser bem feito.

Pessoa sentada em uma mesa de plástico com cadeiras ao redor, ao ar livre, com árvores ao fundo e fio de eletricidade visível no céu.

ACOMPANHAR

É possível começar o Caminho sozinho. É muito difícil terminá-lo sozinho. O ritmo diário da caminhada, as pausa, os albergues (especialmente os públicos), tudo isto leva a que, lentamente, comecemos a acertar o passo com outras pessoas e o que pode começar com uma troca de olhares e um sorriso desconfortável acaba em conversas e descobertas sobre os outros peregrinos que pisam o mesmo percurso, cada um fazendo o seu próprio caminho interior. Guardo amizades que nasceram de todas as vezes que fiz o Caminho de Santiago. Cada um de nós leva, sem o saber, a missão de acompanhar os que estão à nossa volta.

Quatro pessoas andando por uma trilha de terra com uma parede de pedras à direita e árvores ao fundo, usando capas de chuva.

CHEGAR

É a ambição de todos os que começam. Quanto mais perto, mais forte o desejo. À chegada fica espelhado o caminho na cara de cada um. As experiências vividas, as lutas enfrentadas (e também as evitadas). Lentamente, depois do clímax da chegada, começa a vir ao de cima o peso da experiência interior. Gosto muito deste momento frente a frente com aqueles que caminharam com os pés, com o coração e com as mãos postas ao serviço dos outros.

Mulher de cabelos curtos e encaracolados, usando óculos e uma jaqueta, segurando óculos na mão, ao ar livre, com fundo de prédio ou estrutura de ferro.