Francisco Mariz Rodrigues
Pai, Fotógrafo, Professor
Atrai-me a luz, a geometria, o movimento e os olhares. Como tudo isto se conjuga num momento fugaz, que desaparece assim que o vejo. Gosto de fotografar em proximidade, das máquinas simples e mecânicas, sem grande funções e me ajudam a concentrar no gesto de capturar.
Pelos 15 anos recebi, de presente de aniversário, a minha primeira máquina fotográfica. Uma Nikon F65 que viria a transformar a maneira como olho para o mundo que me rodeia. Comecei a perceber uma nova forma, mais lenta e ponderada de observar.
Desde então, a minha paixão pela fotografia só tem crescido.
2023 - A primeira vez que levei a minha F65 a passear a sério.
Apesar de um intervalo de 4 ou 5 anos em que trabalhei com o digital, o meu coração sempre esteve com a fotografia analógica nestes últimos 20 e poucos anos - pelo seu ritmo mais lento, o compromisso que exige, o mistério, a experiência tátil e até a aura de alquimia que a envolve. Assim que entrei para a faculdade e descobri a possibilidade de revelar os meus próprios negativos a preto e branco, apaixonei-me pelo processo e pela possibilidade de controlar e experimentar, construindo várias câmaras estenopeicas (pin-hole) com várias caixas diferentes e até com caixas de fósforos. Descobri que errar faz parte do processo fotográfico analógico e que alimenta a linguagem do fotógrafo (muito mais que no digital).
Com o passar dos anos, fui descobrindo a minha linguagem e o lugar que a fotografia tem no meu dia-a-dia.